CLAUDIA ROQUETTE-PINTO
(foto: Man Ray)MARGEM DE MANOBRA
Eu me cubro com o A da palavra farpada
eu me cubro com o A que traslada
(e a memória é a ignição de uma idéia
sobre dunas de pólvora).
Eu me deito na décima-terceira casa,
eu me deito sob a letra de mãos dadas
M: escondo entre escombros
o sentimento que sobra.
Isto, sim, me comove,
o anel, quando soa
e engloba, envelopa,
remove a pessoa
- letra O, de vertigem e pó,
que soçobra.
Eis o despenhadeiro,
gargalo da fera,
eis o R que trai, apunhala,
desterra - eis o último tiro
sem margem de manobra.
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(do livro Margem de manobra, de Claudia Roquette-Pinto)
(do livro Margem de manobra, de Claudia Roquette-Pinto)
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Etiquetas: antologia girapemba


3 Comments:
Belo poema.
Margem de manobra é um trabalho bem sensorial, que retoma o corpo como tema.gosto muito desse livro da Claudia.
E obrigada pelo seu livro, Barone, uma edição muito bonita, lerei com interesse. um abraço, Ana
gostei bastante. vê o que tu achou dos meus novos poemas e deixa um comentário.
www.poesiaimoral.zip.net
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