Segunda-feira, Novembro 10, 2008

CLAUDIA ROQUETTE-PINTO

(foto: Man Ray)

MARGEM DE MANOBRA

Eu me cubro com o A da palavra farpada
eu me cubro com o A que traslada
(e a memória é a ignição de uma idéia
sobre dunas de pólvora).

Eu me deito na décima-terceira casa,
eu me deito sob a letra de mãos dadas
M: escondo entre escombros
o sentimento que sobra.

Isto, sim, me comove,
o anel, quando soa
e engloba, envelopa,
remove a pessoa
- letra O, de vertigem e pó,
que soçobra.

Eis o despenhadeiro,
gargalo da fera,
eis o R que trai, apunhala,
desterra - eis o último tiro
sem margem de manobra.
.
(do livro Margem de manobra, de Claudia Roquette-Pinto)
.

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3 Comments:

At 4:34 PM, Blogger Barone said...

Belo poema.

 
At 2:49 PM, Blogger Ana Ramiro said...

Margem de manobra é um trabalho bem sensorial, que retoma o corpo como tema.gosto muito desse livro da Claudia.
E obrigada pelo seu livro, Barone, uma edição muito bonita, lerei com interesse. um abraço, Ana

 
At 8:55 PM, Blogger joão pedro wapler said...

gostei bastante. vê o que tu achou dos meus novos poemas e deixa um comentário.

www.poesiaimoral.zip.net

 

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