Sábado, Julho 04, 2009

Nova edição da Conexão Maringá


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Novo uivo da Coyote


Com sua linha editorial calcada na radicalidade e na diversidade de vozes e visões artísticas, Coyote 19 mostra uma entrevista inédita de João Cabral de Melo Neto feita pelo poeta gaúcho Thomaz Albarnoz Neves, no outono de 1993, além de uma nova safra de poemas de Ademir Assunção e Annita Costa Malufe, a densa e atormentada dicção da poeta espanhola radicada no Paraguai, Montserrat Alvarez, em poemas traduzidos por Luiz Roberto Guedes, contos de Marcelo Maluf e Reni Adriano, poemas do norte-americano George Oppen (traduzidos por Ruy Vasconcelos), da portuguesa Ana Luísa Amaral, e quadrinhos da dupla Teo Adorno e Luiz Bras.

A revista apresenta ainda um conto do norte-americano Donald Barthelme (traduzido por Caetano Waldrigues Galindo) e ensaio fotográfico do londrinense Rogério Ivano.

Em seus sete anos de atividade, Coyote prossegue abrindo espaço para novos autores, resgatando e apresentando nomes importantes das letras e das artes, de épocas e lugares diferentes, instigando a reflexão e a criação literária. A revista é patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) da cidade de Londrina.

COYOTE é editada pelos poetas Ademir Assunção, Marcos Losnak e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras.

COYOTE 19 // 52 páginas // R$ 10,00

Uma publicação da Kan Editora. Vendas em livrarias de todo o país pela Editora Iluminuras – fone (11) 3031-6161. Pode ser adquirida também na internet no Sebo do Bac.



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Sexta-feira, Julho 03, 2009

Há flores...

Homenagem à memória do querido escritor e poeta, Rodrigo de Souza Leão, que faleceu ontem. Rodrigo era co-editor da revista Zunái e colaborador da Germina. Publicou o livro de poemas Há flores na pele (Editora Trema) e o romance Todos os Cachorros são azuis pela 7 Letras.

Recebi o poema abaixo, repassado pelo meu caro Serguilha, numa bonita homenagem ao Rodrigo. O poema é de Yannis Ritsos.

Testamento

Disse: creio na poesia, no amor, na morte,
e por isso mesmo creio na imortalidade. Escrevo um verso,
escrevo o mundo; existo, existe o mundo.
Da ponta do meu dedo mínimo corre um rio.
O céu é sete vezes azul. Esta pureza,
é de novo a primeira verdade, a minha última vontade.

(Yannis Ritsos)

Trânsitos de Virna Teixeira

(foto de Nan Goldin)


L' ÉDEN ET APRÉS


(Virna Teixeira)


seu rosto em delirium
expressão de gozo, dopamina
abstinência, sudorese, midríase
inchaço nas pálpebras
tremor

era pouco, foi preciso
aumentar a dose, cruzar
a fronteira, saturar
as sinapses

corpo em transe ao som de satisfaction

enfer des images. noturnas. fascinantes
e também tristes, cruéis, conhecidos
bas fonds urbanos

escuros, a taste for danger, excesso
até o confinamento
84 dias

numa clínica, lendo
Wislawa Swyborska
fantasmas privados,
tortures

um álbum de Nick Cave

lenta reaproximação
retorno

de olhar extremo:
fotografar a paisagem
a luz de um céu vermelho
em Bangkok

Death Valley, vulcões


(extraído do novo livro de Virna Teixeira, Trânsitos, de Lumme Editor)

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Um poema: Origami urbano


ORIGAMI URBANO


A cada vinco, mudanças
na química do asfalto

embotar o gris, romper
a lápide que se estende
sob o casco humano

céu de agapanto

conformar-se,
seguir a lógica da nuvem
entrevista na sala de espelhos

nos sulcos dos rostos,
trincheiras de ausência
transeunte

busca obstinada, a seiva
nas saliências

e o papel domado se rende
ao pequeno órfão, canto
dobrado

celebrar a estatuária
em diminuta escala,

celulótico
poema


(poema extraído de Fronteiras da pele; foto de Fabio Pazzini)

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Segunda-feira, Junho 29, 2009

Fronteiras da pele


Fronteiras da pele é o resultado de um projeto iniciado em Brasília e que levou dois anos para ser concluído. Em grande medida, é fruto de várias interferências diretas e indiretas: visuais, sonoras e pessoais, que acabaram influenciando o direcionamento que dei ao trabalho no tratamento com a linguagem.

A pele é a fronteira por excelência, que nos distancia da realidade e do "outro", e os sentidos são suas microfronteiras (obstáculo para uns, caminho para outros). Cada poema foi elaborado como um ente corpóreo, autônomo, e busca tratar das micropercepções sensoriais reveladas na linguagem (já que trabalhamos com pequenas peças escolhidas da realidade, como diria Lacan).

Espero que o leitor consiga sentir o ritmo da respiração, o eriçar dos pelos, as pulsações e o movimento dos órgãos contido em cada um desses entes-poemas.

O livro foi publicado por Lumme Editor, dentro da coleção Caixa Preta, e já pode ser pode encomendado na Livraria Cultura, ou através do e-mail: vendas@lummeeditor.com.
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Sábado, Junho 27, 2009

Deu no Correio


Minhas restrições quanto ao Correio Braziliense caem por terra frente à competência e real interesse cultural (espírito investigativo) de alguns de seus jornalistas. Depois de ficar muito tempo sem me interessar pelo "universo" brasiliense, alheando-me quase que por completo da pulsação (ou respiração artificial) da cidade, volto a buscar em suas páginas artigos isentos da costumeira cabotinice e, sim, tenho encontrado muitos.
Quero mencionar dois jornalistas, em especial, que se dedicam a sacudir a poeira cultural do cerrado: Sérgio de Sá
e Sérgio Maggio. O primeiro é doutor em Estudos Literários pela UFMG, subeditor e colunista literário do Correio e professor na Universidade Católica de Brasília. São dele projetos como o que entrevistou vários escritores no espaço do Conjunto Nacional, além da ótima coluna que analisa o melhor da cultura local, do Brasil e do mundo.
Sérgio Maggio, por suas vez, acaba de lançar Conversas de Cafetina (editora Arquipélago), livro-reportagem que reúne depoimentos colhidos pelo jornalista nas ladeiras de Salvador e no interior baiano. Sérgio, que também é crítico teatral e subeditor de cultura do jornal Correio Braziliense, terá texto de sua autoria encenado no próximo semestre.
Pois é, o meu movimento em direção às bancas de jornal é diretamente proporcional ao envolvimento e ao trabalho desses caras e de outros (abraço ao Marino). Admirável.


(foto: Sérgio Maggio, em Salvador)

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Sexta-feira, Junho 26, 2009

Os recantos de Luiza Neto Jorge


Há vários dias uma imagem me persegue, uma capa de livro ou, melhor dizendo, a foto que a toma quase por completo, uma foto-capa, por assim dizer, já que a foto está repleta de várias outras pequenas imagens que a compõem (explicarei melhor adiante). Não é que a capa me persiga, já que, inerte, só pode me atrair, o que faz à perfeição, em cima da mesinha da minha cabeceira. Eu é que a persigo, todas as vezes que, indo e vindo, não posso deixar de olhá-la, escrutinar cada centímetro colorido, à procura de pistas não só da obra, mas de sua autora, a poeta portuguesa Luiza Neto Jorge.

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Para mim, uma capa deve refletir a alma do livro, o que geralmente não acontece. Coloca-se uma imagem descontextualizada da obra, do autor, tudo em prol do design funcional, o mais palatável possível. Nesse caso, ao contrário, optou-se por uma foto da autora na casa onde morou, no bairro dos Anjos, bem perto do castelo, em Lisboa. Sentada com o seu gato persa ao colo, mobília anos 70, uma grande parede repleta de affiches por trás: um cartaz sobre a obra de Duchamp ao lado de um desenho infantil (um circo talvez), além de um sugestivo Fatiguez votre coeur!, em letras vermelhas. Uma profusão de imagens que acabam emoldurando o título, 19 Recantos e outros poemas, ele mesmo um affiche dentro da foto.

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Dessa imagem, tento extrair, a cada vez, mais da obra e da autora, atitude por si só bem masoquista (eu a persigo, ela me persegue...mas afinal, who cares?). Um “canto” forrado de memórias, de objetos afetivos (sua casa, seu livro), “a letra que leve até a mão aquilo que se passa no rio do pensamento”. Uma poesia nada fácil, assim como sua beleza sui generis, beleza rara ungindo autora e obra. Não é à toa que me atraia tanto.

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RECANTO 18

(Luiza Neto Jorge)


Desses “em guerra” vos falo falo dos que me seguem

não os chamamos seguiram-nos

todos descrentes e rimos por dinheiro não trocámos

projectados para a morte não traímos

.

Eu e ele somos a espaços

improváveis veículos (eu e vós)

mestres voadores numa convulsão de cigarros mestres

reptantes redemoinho meu ressaca viva oculto vinho

oculto amor

.

o nosso vedado o mundo tão exíguo e o dos outros

(luzes água planetas mecanismos ambíguos) mais

exíguo

.

Amamos o mundo (quem?) o tempo (qual?) a luz (quando?)

a treva (onde?) tudo (?) todos (?!)

trepidantes trêmulos

com a ajuda mental de partículas

de merda

.

ou simples estados, frenesis, convulsivos, objectos,

alibis, a pique, patológicos,

risos, redundâncias, aços, lascados, alarmados,

conhecemos – além de nós, reais, -

os reis, os resíduos, o dente liliputiano

no sorriso do arcanjo.



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Segunda-feira, Junho 22, 2009

Lançamento em SP: Fera Bifronte


O evento Leituras Poéticas Contemporâneas: um olhar sobre o Oriente reunirá os poetas Claudio Willer e Claudio Daniel para um debate sobre a influência da filosofia oriental na poesia. O encontro acontecerá no dia 15 de julho, das 16 às 19h, na Livraria da Vila (Itaim) em São Paulo (SP), com curadoria do filósofo e poeta Chiu Yi Chih.

Haverá ainda o lançamento do esperadíssimo Fera Bifronte, do Claudio Daniel, projeto que reúne poemas escritos pelo autor entre 2004 e 2008, e que acaba de ser publicado, com posfácio do poeta português E. M. de Melo e Castro e projeto gráfico de Francisco dos Santos, da Lumme Editor. O livro ganhou o prêmiro Funarte do ano passado.

Local: Livraria da Vila, na rua Dr. Mário Ferraz, 414, Itaim – São Paulo - SP.

Realização e apoio: Livraria da Vila

CLAUDIO WILLER é poeta, ensaísta e tradutor.É também doutor em Letras (USP). Seu livro mais recente é Estra¬nhas experiências (Lamparina, 2004); publicou Volta, narrativa em prosa (Iluminuras, 1966), Lautréamont – Os cantos de Maldoror (Iluminuras, 2005) e Uivo e outros poemas, de Allen Ginsberg (L&PM, 2005).

CLAUDIO DANIEL é poeta, ensaísta e tradutor. Mestre em Literatura Portuguesa pela USP. Publicou os livros de poemas Sutra (edição do autor, 1992), Yumê (Ciência do Acidente, 1999), A sombra do leopardo (Azougue Editorial, 2001), este último vencedor do prêmio Redescoberta da Literatura Brasileira, oferecido pela revista CULT, Figuras Metálicas (2005) e Fera Bifronte (2009).

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O Sortilégio de EDSON CRUZ

(foto: Blue Tango, Miguel Rio Branco)


SAMBAQUI
(Edson Cruz)


em meu samba sarnambi
cabem todos os restos:
é meu recanto de desterras
chão de joão-ninguém
depositório de meus erros

todos os ossos
sem nome
todos os nomes
sem boca
todas as bocas
à míngua.

o que fazer então
com as palavras?
depositá-las aqui
vomitá-las
como se vomita
uma língua.


(poema extraído do livro Sortilégio, da editora Demônio negro)

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Sexta-feira, Junho 19, 2009

Poesia britânica em Sampa

(clique na imagem para ampliar o flyer)


Hoje, no auditório da Cultura Inglesa Pinheiros, em São Paulo, haverá o lançamento da antologia “Cartas de ontem”, do poeta britânico Richard Price. A obra reúne uma seleção de poemas que versam sobre a temática amorosa, através de uma dicção contemporânea e lírica - onde o autor dialoga com poetas como Catulo - e trafega pelo discurso amoroso barthesiano. A proposta do livro é de apresentar uma produção mais recente de poesia contemporânea do Reino Unido ao leitor brasileiro.
A tradução dos poemas foi feita pela cara Virna Teixeira, autora que tem traduzido vários autores de língua inglesa.


O recital com Richard Price e coquetel de lançamento de Cartas de Ontem acontecem hoje, dia 19/06, às 19:30.

Local: Sala Cultura Inglesa do CBB. Duke of York Auditorium

Endereço: Rua Tucambira, 163. Pinheiros.

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Quinta-feira, Junho 11, 2009

Os anjos afogados de Marcelo Ariel



A entrevista acima foi dada ao Entrelinhas pelo poeta Marcelo Ariel. Encontrei no blog da querida Karen Debértolis e decidi passar adiante porque é ótimo. No meio de tanta banalidade/mediocridade, a poesia do Marcelo é como um punch na boca do estômago( e ótimo motivo para deixar minha misantropia por uns instantes...). Estou certa de que ainda vamos ouvir falar muito de Marcelo Ariel.

CARANGUEJOS APLAUDEM NAGASAKI
para Gilberto Mendes e Dojival Vieira dos Santos.

1.
(Vila Socó)

Corpos em chamas se atiram na lama
mulheres e crianças primeiro
caranguejos aplaudem nossa Nagasaki
bebê de oito meses é defumado
enquanto Beatriz
agora entende o poema derradeiro
Beatriz mãe solteira antes de morrer deu um inútil pontapé na porta

2.

No ar
gritos mudos
a noite branca da fumaça envolve tudo
alguém no bar da esquina
pensa em Hiroxima
nas vozes
Horror e curiosidade acordaram a cidade
se misturando
dentro do inferno olhos clamam
por telefone
o ministro é informado
– O fogo os consome...
A sirene das fábricas não
silencia
Dois serafins passando pelo local
sussurram no ouvido
Do Criador
"Vila Socó : Meu amor"
Uma velha permaneceu deitada
em volta da cabeça na auréola
o último pensamento passa
o coro das sirenes
no meio do breu iluminado
uma garça voa assustada
com os humanos e seu inferno criado
no mangue o vento move as folhas
Um bombeiro grita:
– Ksl. O fogo está contra o vento. Câmbio.
Foi Deus quem quis
diz o mendigo
que sobreviveu porque estava dormindo no bueiro da avenida
Um orgasmo é cortado ao meio
quando o casal percebe o fogo
queimando o espelho
Voltando no tempo
Lamentamos
o movimento do gás
levíssimo iceberg
que converteu fogo em fogo horror em horror

3.

Vila Socó
estacionou na história
ao lado de Pompéia, Joelma e Andrea Dória
Pensando nisso
ergo nesse poema um memorial
para nós mesmos
vítimas vivas
do tempo
onde se movimenta a morte se espalhando na paisagem
como o gás
que também incendeia o Sol (bomba de extensão infinita)

4.

Beatriz sentou perto da porta e ficou olhando o fogo. Até
que invade a cena a luz suave de um outro sol frio. Fim de jogo

5.
(O que não queima)

Beatriz agora é outra coisa e contempla:
raios negros num céu negro
depois brancos num céu branco
– Suavemente penetrei num jardim onde uma única árvore existe.
(O incêndio acaba e a garça pousa no mangue, onde os anjos sonham)
Naquela noite um acordou
andou nomeio das chamas
e as chamas
O queimaram



(do livro Tratado dos anjos afogados).

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Terça-feira, Junho 09, 2009

ARTIMANHAS POÉTICAS NO RIO


O festival literário Artimanhas Poéticas será realizado nos dias 12 e 13 de junho, no Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro (RJ), com curadoria do poeta Claudio Daniel. O evento contará com a participação de críticos literários, como Luiz Costa Lima, poetas jovens e consagrados, como Paulo Henriques Britto, Virna Teixeira, Sérgio Cohn, Richard Price e o português Luís Serguilha, entre outros, e editores de revistas. O festival incluirá palestras, debates, recitais, lançamentos, performances musicais e de poesia sonora.


Local: Real Gabinete Português de Leitura

Rua Luis de Camões, 30 - Centro - Rio de Janeiro - RJ



Programação completa: http://artimamhas.blogspot.com




Sexta-feira, Junho 05, 2009

Lançamentos da Lumme no Simpoesia




(clique nas imagens para ampliar os flyers)


LANÇAMENTOS DA LUMME DENTRO DO FESTIVAL SIMPOESIA


Hoje, dia 05/06, no Instituto Cervantes, às 21 horas (Avenida Paulista, 2439:

~>O PRINCÍPIO DA ETERNIDADE, e OFÉLIA, do poeta VICTOR SOSA
Leituras com Victor Sosa, Ronald Polito e Luis Serguilha

~>MÁQUINA FINAL, de Efraín Rodriguez Santana


e logo após, às 22 horas, no JazznosFundos (Rua João Moura, 1076 - Pinheiros):

~>TRÂNSITOS, de Virna Teixeira

~> CAMPO DE AMPLIAÇÃO, de Casé Lontra Marques

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Quinta-feira, Junho 04, 2009

Simpoesia

(clique na imagem para ampliá-la)


II SIMPÓSIO DE POESIA CONTEMPORÂNEA - SIMPOESIA

Experiência literária de quatro dias, que reunirá entre de 4 a 7 de junho de 2009, vozes das mais relevantes da poesia e da crítica literária internacional, além de uma feira de editoras independentes de poesia do Brasil e Argentina promovida pela revista Grumo.

Um encontro que envolve a troca de idéias, a exposição da diversidade intelectual e o intercâmbio artístico e cultural entre diversas expressões da poesia contemporânea.

Curadoria: Virna Teixeira

Realização: Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo

Produção: Casa das Rosas e Organização Social POESIS de Cultura

Patrocínio: Instituto Cervantes, Consulado do México e Centro Cultural da Espanha em São Paulo

Web site: Http://www.simpoesia.wordpress.com


PROGRAMAÇÃO

4/6

19:30h- Apresentação. Abertura do evento

20h- Recital com Horácio Costa, Maria Esther Maciel, Micheliny

Verunsck, Alfredo Fressia, Virna Teixeira

21h- Show- Polivox, com Rodrigo Garcia Lopes

Lançamento da revista de poesia mexicana La Otra

Local: Casa das Rosas

5/6

19h30 Debate- Editoras Independentes de Poesia

Com: Gustavo López, Virna Teixeira e Vanderley Mendonça.

Mediação: Paloma Vidal

21h Recital- Rodolfo Hasler, Rodrigo de Haro, Efrain Rodrigues Santana, Luís Serguilha, Victor Sosa.

Após o recital haverá o lançamento da revista Grumo.

Local: Instituto Cervantes

6/6

COLÓQUIO – POETAS DE LÍNGUA INGLESA

14:30h Debate- Brazilian poetry in translation.

Com Steven Buttermann, Stefan Tobler, Flávia Rocha e Rodrigo Garcia Lopes.

16h Palestra- Language poetry

Professor William Alegrezza

17h- Palestra-Editing Contemporary Poetry – Litmus Press Experience

Com E.Tracy Grinnell e Julian Brolaski

18h- Recital- Poetry reading

Com William Allegrezza, Tracy Grinnell, Julian Brodanski e Stefan Tobler.

Recital bilíngue com traduções para o português de Virna Teixeira. Stefan Tobler apresentará traduções do poeta brasileiro Antônio Moura para o inglês.

Local: Casa das Rosas

19h- Poesia: palavra impacto. Palestra com Frederico Barbosa

20h Recital: Sérgio Medeiros, Carlos Augusto Lima, Marco Vasques, Silvia Iglesias, Tatiana Fraga, Marcelo Tápia.

21h Show- grupo de jazz Patavinas

Local: Casa das Rosas

7/6

16h Debate- Poesia, Sadomasoquismo e Diversidade Sexual.

Com: Steven Buttermann, Antônio Vicente Pietroforte e Glauco Mattoso.

Mediação: Contador Borges

17h30- Debate-Poesia e Fronteiras Geográficas

Com Silvia Iglesias, Carlos Augusto Lima e Marco Vasques

Mediação: Edson Cruz

19h Recital- Edson Cruz, Contador Borges, Andréa Catrópa, Luiz Roberto Guedes, Donny Correia, Antônio Vicente Pietroforte, Greta Benitez.

Local: Casa das Rosas

ENDEREÇOS:

Casa das Rosas (Espaço Haroldo de Campos de poesia e cultura) - Av. Paulista, 37 – Bela Vista. Tel. 3285-3986.

Instituto Cervantes -Av. Paulista, 2439 (Metrô Consolação).

Contato: simpoesia2009@yahoo.com.br



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Sábado, Maio 16, 2009

Vachel Lindsay - Congo negro

VACHEL LINDSAY


CONGO NEGRO - fragmento
(Tradução Luci Collin)


Então naquelas margens
Por muitas milhas
Canibais pintados dançavam em filas;
Então troa a canção da sede de sangue
E um fêmur bate num gongo estridente.
"SANGUE" berravam as flautas dos
........................................guerreiros,
"SANGUE" gritavam caveirosos feiticeiros,
"Girai o fatal chocalho vodum,
Pilhai as terras altas,
Roubai todo o gado,
Chocalhai o chocalho,
Vai.
Tuum- tá, tuum-tá, tuum-tá, TUUM".
Um épico ragtime vivo e sincopado
Vem da foz do Congo
às Montanhas da Lua.
A Morte é um elefante,
Com olhos-tocha e horrível,
Espumento e terrível.
TUUM, roubar pigmeus,
TUUM, matar árabes,
TUUM, matar brancos,
HUU, HUU, HUU.


(Vachel Lindsay nasceu em Springfiel, Illinois (EUA) em 1879 e suicidou-se em 1931 na mesma cidade. Pertenceu à "Renascença de Chicago", geração de poetas ligados a Poetry: a magazine of verse. Esta versão de Congo negro foi feita pela escritora Luci Collin e acaba de ser publicada pela editora Éblis, abrindo a coleção de traduções da editora. Congo negro é o poema mais significativo da obra de Lindsay, marcada sobretudo pelo ritmo e pela oralidade. Longe de qualquer anacronismo, Congo negro continua arrebatador, um poema extremamente forte e surpreendentemente inventivo)

http://www.editoraeblis.com/

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Sexta-feira, Maio 15, 2009

Fera Bifronte e Letra negra

CLAUDIO DANIEL



LETRA NEGRA



V


“quando nada mais faz sentido” —

busco o mistério animal,

a ferocidade da noite:

deslizando por meus lábios,

ela se transforma, revoluta,

desentranhada, não me decifra,

não te devoro, abisma fábulas

na desordem dos cabelos;

entre pupilas, expandindo luas,

tensionando a pele, na cegueira dos mamilos.



VI


floresta de enganos, se me esmagam,

furiosos, com simulações,

é tua face que me escapa à pele;

se atravesso veredas infernais,

desalentado, paisagem de fraturas,

é apenas para encontrar-te,

tua imagem reversa é o meu labirinto.



VII


espaço vegetal, tempo lagarto:

mãos fluidas; voz movediça;

olhos de musgo, na pedra;

quem sou eu, nessa era líquida,

menos homem que número,

letra negra, fragmento do caos,

movendo-me à roda de teu nome?



~>Os excertos acima fazem parte de Letra negra, que Claudio irá lançar em breve pelo selo Arqueria. Em junho, também está programado o lançamento da sua esperada Fera Bifronte (capa acima), publicado por Lumme Editor. Claudio responde ainda pela curadoria do evento Artimanhas Poéticas, que também acontecerá em junho, no Rio de Janeiro, no Real Gabinete Português de Leitura. Outras "hot news" (novas para mim também, que retorno do meu trânsito por saturno"...) lá na Pele de Lontra.


~>Estou colocando a casa em ordem aos poucos, retirando as últimas teias que ainda insistiam em assombrar o blog, mas nos próximos dias, novos ares por aqui...



Cecília Borges - Dente de Leão


CECÍLIA BORGES


TAKE

estou na porta da casa de rui
e há um grande aviso
para não molharmos os elegantes cachecóis
que apareceram por aqui
e não prendermos nossas esperanças
no vão entre o metrô e a plataforma
mas na estação
uma mulher continua falando que
guarda-chuvas usando marquises
é de se emputecer
pego outra condução
silenciosa,
o aluno da prefeitura começa a confessar
que detesta usar a mochila antiga da irmã
(odeio as linhas rosas
e a água da chuva entra por aqui)
mas digo que vou para um país diferente
e que lá só chove se sete pessoas
chorarem ao mesmo tempo


~> Dente de leão (editora Éblis, 2009), de Cecília Borges, será lançado hoje (15/09) no Rio, a partir das 19 horas, na Palavraria, Rua Vasco da Gama, 165. O livro está muito bonito e, para quem ainda não teve a chance de conhecer o trabalho da moça, mais em:
http://www.cecilia-borges.blogspot.com

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Segunda-feira, Abril 06, 2009

Minhas respostas à queima-roupa

O cronopiano Edson Cruz está realizando uma enquete em seu blog, o Sambaquis. Ele propõe três perguntas "à queima-roupa" para poetas de vários países e, com isso, está formando um interessante apanhado sobre a ars poética de cada autor. A ideia surgiu de uma oficina literária realizada pelo Edson, que tem planos mais ousados para o projeto.

Acompanhe:
http://sambaquis.blogspot.com


Minha participação na enquete pode ser conferida [aqui]

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Segunda-feira, Março 30, 2009

Novos lançamentos da Éblis


(clique na imagem para ampliá-la)


Em abril, acontecerá o lançamento de dois novos livros da Éblis: Dente de leão, poesias de Cecília Borges, e Congo negro, poemas de Vachel Lindsay, traduzidos por Luci Collin.
Imperdível!

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Cândido Rolim: Camisa Qual



(Detalhe de Dante e a Divina Comédia, de Lucas Signorelli, e instalação sobre Grande sertão veredas - Museu da Língua Portuguesa)


parêntese irritante


obrigado clássico
positivo
pela descrição dada aos vindouros

divulgar o chão
seus pertences:
bicho farinha
tudo na mesma aniagem

para gáudio da ciência
o homem
- antítese descalça
do sulista comiserado-
nascido em meio propício
ao estágio das insânias


gratíssimo clássico
positivo
por descrever
m i l i m e t r i c a m e n t e
a dura linha do rosto
a cabeça

do alto
jagunço sub
atarracado pusilânime
conhecedor de ferro


(poema de Cândido Rolim, do livro Camisa qual, 2008, editora Éblis)

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Cândido Rolim

Deixo abaixo um trecho da entrevista concedida pelo poeta Cândido Rolim a Carlos Augusto Lima, do Diário do Nordeste.
Cândido é autor de uma poesia instigante, plena de sentidos, gosto muito do seu trabalho, que pode ser conferido em seus livros: Exemplos Alados (Letra e Música, 1998), Pedra Habitada (AGE, 2002), Fragma (Funcet, 2007) e Camisa Qual (Éblis, 2008).
Mais sobre o autor no blog Signagem, publicado em parceria com o poeta Ronald Augusto:

http://signagem.blogspot.com


~>Por que escrever poesia, essa insistência ?

Embora não goste muito de fazer analogias entre a poesia e certas tarefas que, pelo hábito ou pelo pragmatismo, foram guindadas à categoria de necessidade, uma boa justificativa para se continuar a escrever poesia é encará-la como um puro fazer impuro, sem expectativas de fundo e fundos. Há aqueles que vislumbram uma essencialidade vital na tarefa de escrever e quanto mais em escrever poesia. Minhas lentes fatigadas não chegam a tanto. A essa altura do campeonato, a justificativa que encontro ou que pretendo injetar, talvez para disfarçar melhor minha ironia, está em escrever para confiar a mim mesmo a tarefa de tentar realizar um objeto verbal provisoriamente curioso.

~>Me faça um paralelo entre poesia/mundo. O que é ser poeta na condição de hoje?

A vida em si, deixou de ser épica. A história se acomoda a compartimentos e leituras cada vez mais exíguos, privatísticos. As tomadas do plano já não são tão abertas. Os gestos políticos, antevendo seu malogro em tentar convencer os cidadãos de sua impostura e impotência em dissolver os atritos da relação público x privado, são impessoalizados, submetidos aos ambientes rarefeitos. Quer dizer: nem na política se dá mais a intenção arrebatadora, convocante, redentora. Como lembrava Haroldo de Campos, não vivemos mais em um mundo de guerreiros e celebrantes. Embora possa ainda ser lido como sintoma e índice de sua época, porque sofre os insumos lingüísticos e vivenciais do seu entorno, o comportamento da poesia (melhor, da expressão poética), no embate com o mundo, talvez se ache parcialmente resolvido em sua recusa em se alistar na linha de frente dos impasses violentos da contemporaneidade. Mas sua elaboração, inaudível a princípio, quando submetida a uma tomada de "plano fechado" tem sua razão de ser, nisso que você fala de "insistência". É que, após o advento da crítica, a poesia gasta muita energia consigo própria, a ponto de não ser de todo errado afirmar que sua primeira resistência é contra seus próprios desvios, sua resolução dentro da própria linguagem. Por outro lado, vale lembrar que esses impasses não são próprios da contemporaneidade. Em tempos não tão distantes, poetas também praticavam sua escrita nas frestas de um mundo em crise. E se é verdade o que dizem - que não há condições ideais para escrever-, fazer poesia continua subsumindo-se à condição de uma prática ética e esteticamente relevante, quase alheia a cotação que costumam lhe conceder.

~>Poesia e tecnologia, poesia e novos meios, fala-se muito disso. Trata-se realmente de um novo problema, você tem observado um discurso novo a partir disso, ou é pura falácia?

Diante de tanta pretensão ao todo, à catalogação geral, à funcionalidade, às vezes convém colocar as coisas em seus lugares. Se considerarmos a poesia como um produto da linguagem ou da imaginação (que tem sua fonte naquela), poesia como um atrito des/informante entre sentido e imagem, é óbvio que as ferramentas que irão veicular as mensagens daí decorrentes (livro, blog, e-mails), talvez só mui timidamente, irão influir (se de fato tiverem esse poder) nelas a ponto de estabelecer uma nova linguagem. Desconfio até que, de repente, será a expressão poética que irá se servir dos vícios desses novos meios! Noto que, a par de um incremento tecnológico na veiculação das mensagens, principalmente no que diz respeito à rapidez da informação, o 'caráter' desses textos sofrem os mesmos refinamentos, vicissitudes, apuro, equívoco, indigências da mente que os escreve. Quer dizer, tal como se dá com o livro, o meio socorre pifiamente a mensagem.


A matéria completa encontra-se em:

http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=62380).



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Sexta-feira, Março 27, 2009

(clique na imagem para aumentá-la)



Hoje, imperdível! Lançamentos da Demônio Negro (grande Vanderley Mendonça e seus livros maravilhosos...) na Casa das Rosas. São: Feira de relâmpagos, de J. V. Fox. e Nada é mesquinho, o escambau, de Joan Salvat Papasseit, ambos traduzidos do catalão pelo meu caro Ronald Polito e seu parceiro em empreitadas catalãs, Josep Domènech Ponsatí. A partir das 19 horas. Quem estiver em Sampa, prá lá!

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Sexta-feira, Março 13, 2009

Palavra Solta

Hoje, às 21 horas, acontecerá o evento Palavra Solta, projeto que ocorre mensalmente no Martinica Café e que reúne um grupo fixo de poetas (nesta edição, estarão presentes Alexandre Marino, coordenador do evento, além dos poetas Angélica Torres, Ariosto Teixeira, Carla Andrade, Fernando Marques e Ivan Sérgio) e um novo convidado a cada edição (nessa edição, participarei com leitura de poemas do meu novo livro, Fronteiras da pele)
Agradeço, desde já, o convite do Alexandre, que estendo a todos. Os poetas ainda lerão poemas de Castro Alves, pelo Dia Nacional da Poesia (amanhã), comemorado no dia do aniversário do poeta baiano.

O Martinica Café fica na 303 Norte - bloco A.


Domingo, Março 08, 2009

Nova edição da Zunái

(guto lacaz)

Na nova edição da Zunái:

-A poesia como exercício da perplexidade: entrevista com Maria Esther Maciel
-Exposição virtual do artista plástico Guto Lacaz
-26 aforismas sobre poesia, ensaio-manifesto de Rodrigo Garcia Lopes
-A verdade do tempo reversível, ensaio de Raul Antelo
-É possível uma tese sem teoria?, depoimento de Aurora Bernardini
-John Cage — Augusto de Campos, um diálogo, ensaio de Daniel Lacerda
-Abreu Paxe: calígrafo, ensaio de Francisco Soares
-Cartas de Miami, por José Kozer
-Alguna poesía reciente desde Argentina, antologia organizada por Reynaldo Jiménez
-Traduções de Issa Kobayashi, Han Shan, Antonio Machado, Giuseppe Ungaretti, Dino Campana, Arturo Carrera, Elizabeth Bishop, Dylan Thomas
-Poemas de Sérgio Medeiros, Álvaro Faleiros, Winner Chiu, Mônica Berger
-Seis poetas do Peru: mostra poética organizada por Gladys Mendia
-Marília, conto de Giovanna Batini
-Acordos, conto de Rogério Augusto


Zunái, revista de poesia e debates
http://www.revistazunai.com

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Sábado, Março 07, 2009

Ronado Machado


(o modelo vermelho, magritte - variações)



costurei sapatos novos para o ritmo exato dos meus pés
carne quebrada, nervo rendido, osso desconjuntado.

na rua, os cadarços dos meus sapatos novos amoleceram
nos restos de chuva que a noite tocou em pianíssimo.

meus sapatos novos são brancos. são para curar
carne quebrada, nervo rendido, osso desconjuntado.

as costuras dos meus sapatos novos são em cruz,
com linha e agulha, por cima e por baixo.

um desconhecido pisou em meus sapatos novos, pisou
carne quebrada, nervo rendido, osso desconjuntado.

maços de marcela, cigarros, rótulos de antibióticos
absorveram-se nas solas dos meus sapatos novos.

a cidade encardiu meus sapatos novos, feitos para urdir
carne quebrada, nervo rendido, osso desconjuntado.

e o sol a pino veio beber a água amanhecida nas calçadas
e ressecar meus sapatos novos, sujos.

depois limpei o couro, lavei os cadarços, remendei as solas. cerzi
carne quebrada, nervo rendido, osso desconjuntado.



(poema de Ronaldo Machado, do livro Solecidades, 2007, editora Éblis)

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Quarta-feira, Março 04, 2009

Nova edição da Conexão Maringá


http://www.conexaomaringa.com

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Terça-feira, Março 03, 2009

Elson Fróes

(francis picabia)


AA BERTOLD BRECHT


Ler é questão de largura
a capacidade de enfiar milhares
de pequenas contas num único fio
O entendimento rompe-o
milhares inesperadas contas
rolam em liberdade


Pensam que o saber
é tirar contas dentre milhares
de um vidro e enfiá-las
num fio de pequenos colares
Prefere-se sabe-las rolando
ao chão


Ler é questão de largura
a capacidade de enfiar
milhares de pequenas contas
num fio imaginário
de pequenos colares
O entendimento rolando
solto em liberdade dentro
de um vidro vazio


Pensam que o saber
é tirar contas dentre milhares
de um fio imaginário
e enfiá-las num vidro
Rompendo pequenos colares
o chão rolando
sob o entendimento vazio


(poema de Elson Fróes, do livro Poemas diversos, 2008, Lumme Editor)

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Domingo, Março 01, 2009

A revista eletrônica Psicanálise & Barroco, em sua décima-segunda edição, publicou um caderno de poesia neobarroca brasileira, organizado por Claudio Daniel e Vinícius Mendes. O especial traz poemas de Josely Vianna Baptista, Wilson Bueno, Horácio Costa, Elson Fróes, Eduardo Jorge, Claudio Daniel, e inclui três poemas meus.

Em: http://www.psicanaliseebarroco.pro.br/revista

Quinta-feira, Fevereiro 19, 2009

Ronald Augusto - No assoalho duro

(o livro-árvore, S. Dalí)


a folhagem estica um tentáculo
prateado para fora da janela
não é a de um prédio muito elevado
sempre reluzentes bracelestes

no passeio embrulhada timbrística bulha
de metais diversos
os harmônicos da fala ameaçam fender
o espaço em dois (para divisar:
a água recebe raio de luz e permanece
unida)

o tempo deita um rio
à sua beira num sorvo só percebe-se
que a matéria sorvida espirala-se
ligeira no oco do tronco curva-se para
não ofender toma o desvio primeiro e o
seguinte
água do tempo
arrasta influente



(poema de Ronald Augusto, do livro No assoalho duro, 2007, Éblis)

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